A lógica de Judas
Iscariotes
E seus reflexos nos
dias de hoje
A leitura católica
do evangelho de hoje sugere a reflexão sobre o episódio em que Maria Madalena
banha de perfume Jesus e Judas Iscariotes se inflama contra o ato reclamando
que pela venda do perfume renderia 300 moedas, e, acrescenta João, falou isto
porque era ladrão e roubava da bolsa comum.
Administradores que
roubam da bolsa comum, e, ante a iminência de serem pegos tentam desviar a
atenção do erro para outra conduta, por vezes sequer criminosa, é o padrão
comportamental de quem rouba, principalmente quando responsável pela
administração financeira do patrimônio comum.
Note-se que a
narrativa ressalta que o valor pretendido pela venda seria de dez vezes o valor
que foi objeto da entrega de Jesus Cristo. Se fosse fazer exercício de ficção e
transporte no tempo, levando em consideração comportamentos arquétipos do tipo delitivo
de quem furta, chegaríamos à conclusão de que o valor de 300, em relação ao valor
de venda do Cristo, 30, fica fixada a propina de 10% sobre o valor como forma
de, inclusive compreender melhor o diálogo da traição.
Ou seja, parece que
se estivéssemos observando do ponto de vista seguinte ao primeiro diálogo, o do
perfume e o inconformismo com o dinheiro que não passou por suas mãos, em
relação ao dinheiro de propina que poderia surrupiar da bolsa comum, o valor da
traição.
Se fossemos ver o
diálogo dos senhores que convenceram Judas Iscariotes, seria mais ou menos o
seguinte:
Sedutores:
- Então Judas
Iscariotes, como é que estão as coisas entre você e seu Senhor, estás
conseguindo controlar a renda a teu favor;
Judas Iscariotes:
- Em verdade hoje
perdi 30 moedas numa negociação de 300 jogada fora com perfume
Sedutores:
- Olha a gente pode
te compensar, basta fazer um favorzinho que não vai te custar nada, nem causar
prejuízo a ninguém.
Judas Iscariotes:
- Só se for o valor
que perdi hoje, não consigo me conformar
Sedutores
- Justamente, os
trintinha estão na mão
Judas Iscariotes
- Combinado, o que
preciso fazer então...
O resto foi a
lambança que capacitou o Cristo a ser crucificado e ressuscitar, criando o
maior fato de transformação de seguidores (bons e maus) de 2000 anos.
Em verdade, o que
pretendo aqui, é focar no momento em que a corrupção se instala, tenho visto na
televisão e internet sábios cientistas arrotando conhecimento e colocando como
fato histórico que remonta a tempos anteriores da história do Brasil.
O fato é que não
acredito nisto, sei que por diversas ocasiões e em diversos momentos da
história, mesmo diante da sedução, homens púbicos de fibra fizeram história e
criaram fatos úteis para o povo brasileiro.
Os portugueses com
seu espírito desbravador cometeram diversos equívocos, mas seu amor pelo
desenvolvimento nos brindou de herança com a grandeza do País que temos hoje.
O próprio Judas
Iscariotes, antes de ter a confiança da guarda da bolsa comum foi escolhido
para ser alvo de contradições e perseguições, diante da opção feita para seguir
o então desconhecido Jesus Cristo, a quem diga, e é digno de nota, que o
Cristo, figura histórica somente existiu em sua plenitude pela traição, quando se
revelou de forma única na história, portanto Judas Iscariotes, cumpriu papel
essencial à concretização dos planos divinos.
Note-se que o
próprio Cristo lhe disse que sua atitude merecia o descrédito de que sequer
deveria ter nascido, o que como sentença é muito pior do que a morte, é
anterior, pré-existente, posto que seria o fato de ser contrário à concepção do
culpado.
Em verdade o gênero
humano flutua na história com as possibilidades de crescimento e seus efeitos
contrários. Hoje Lula está sendo investigado, ontem foi o Presidente que descobriu
a imensa população abaixo da linha da pobreza existente no país, e, antes
escondida por governos corruptos.
Ou seja, o próprio
Lula percorreu o caminho dos companheiros de Cristo ao optar por revelar
mazelas dos governos de então, estando na oposição, estando em vias de assumir
o governo, na fase pré-eleitoral acaba ingressar na tentação do dinheiro fácil,
decorrente dos momentos de sofrimento anterior.
Temos que observar
que o sofrimento cicatriza feridas e imuniza da dor, torna-se o vivente sem
percepção de dor, ou de sentimento de compaixão da dor alheia, quando esta
anteriormente não foi respeitada, este é o erro de Lula e de Dilma, não
souberam se curar de suas feridas, direcionando a dor para erros de
administração da bolsa comum.
Dizer que a
corrupção atingiu por conta do descobrimento, é falácia e má percepção dos
fatos que geraram o descobrimento e desenvolvimento do país. É no gênero
humano, em suas vicissitudes e dores que o poder deve se precaver.
Quando gente sofrida
e sem formação, por conta da liderança inconteste chega através dos pares aos
comandos de governos, deve ser preparado ao exercício do cargo, de modo a
governar para todos, mesmo os que lhe causaram dor.
O erro do PT foi o
de governar unicamente para a parcela sofrida da população, perdendo a
oportunidade de transformar a sociedade como um todo atendendo a todos que
governa, não satisfazendo os grupos que antes eram favorecidos, mas buscando
meios de equilíbrios de forças, de modo que todos tenham acesso aos meios
produtivos, seja pelo trabalho independente ou da iniciativa privada, seja pela
força supervisionada.
O que poderia se
alcançar com esta nova visão seria o desenvolvimento da sociedade sem novas
mágoas ou dores, buscar sanar a feridas, causando feridas em outros de forma
propositada é que não se chega a lugar algum.
Mais do que isto, o
poder assumido por Lula e Dilma, diante da dor anterior, lhes retirou o senso
de reversão de rumos, e de pedidos sinceros de desculpas, o que vem sendo muito
noticiado em todos os meios noticiosos.
Ninguém quer o
impeachment ou renúncia como solução ao desgoverno, mas o quer pela falta de
senso crítico, pela falta de opções e de alternativas para sair o País da
crise.
Se privar de boas e
viáveis alternativas porque não faz parte do grupo partidário que elegeu é
tolher a população como um todo da saída do processo de crise e retomada do
desenvolvimento.
As feridas mal
curadas estão gerando os embates e acirramentos até o ponto de ruptura, em
mecânica é o ponto de cisalhamento (aprendi com o querido Prof. Norberto Moro –
da antiga ETFSC), de modo que, perto ou no ponto em que quebrada as
possibilidades de retomada do material ao ponto original se rompe.
Seja como for, os
líderes de esquerda não conseguem atender ao clamor popular de solução da
crise, por conta da falta de senso crítico, não dando resposta satisfatória ao
desvio da bolsa comum.
Infelizmente para
Judas Iscariotes, como outros traidores que a consciência atingiu de forma
incontrolável, porque é impiedosa e não há força humana que a vença, o final é
o suicídio.
Por estas razões
senhores do governo e oposição tenham piedade do povo comum, que é quem sofre
mais com estas atitudes, e, do lado do Governo, 1 minuto antes do fim,
repensem, retomem o curso de seu destino para o bem comum, parem com o
acirramento de ânimos, peçam sinceras desculpas e, busquem ingressar na história
como gigantes que dominaram os sentidos ruins, transformando -os em bem comum;
em contrapartida, senhores da oposição,
após tal conduta, deem a oportunidade de o governo imprimir algum legado
que a todos indistintamente atinja, antes que o governo ingresse na história
como vilão e a oposição como inútil, somente para e em nome do bem comum.
HÉLIO BARRETO DOS
SANTOS FILHO
OAB/SC 7487 DF 36606
OAPT 53040C
heliobsf-53040C@adv.oa.pt
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